Intuição: Sagrada ou Suprimida? (2/2)

>Coluna: Kleiton Luiz See this post in English

Por: Kleiton Luiz.

Após o Renascimento (Idade Moderna) surge uma época que chamamos de “Iluminismo”. O iluminismo é marcado pelo explendor da crítica, da razão e pelo avanço da ciência.

Já no século XVII surge a chamada “revolução científica”, que dita os parâmetros da sociedade até os dias atuais. O método científico, que por um lado trouxe muitos benefícios para a sociedade em geral, proporcionando descobertas e mudanças de paradigmas, por outro lado suprimiu por completo o empirismo, ou seja, a capacidade do ser humano utilizar as próprias experiências como dados científicos válidos.

A partir da adoção do método científico, a civilização ocidental começou a adotar parâmetros puramente racionais, intelectuais, para definir o futuro da sociedade. O Centro Intelectual, que sempre divide-se entre Afirmação e Negação, Sim e Não, Tese e Antítese, não consegue experimentar a verdade absoluta. Este Centro sempre está em uma eterna luta de opostos. Tanto é verdade, que a ciência baseia-se em teses, teorias, modelos que procuram explicar a “realidade”, mas que não podem ser consideradas como absoluta verdade. Muito pelo contrário. Uma tese científica tem várias premissas básicas, como observação do fato, descrição do mesmo, previsão (já que o modelo deve servir para as questões do presente, passado e futuro), controle (os experimentos devem ocorrer sob ambiente controlado, para que o pesquisador controle todas as variáveis que possa interferir no processo) e falseabilidade (toda e qualquer teoria científica, pode, a qualquer momento, ser considerada como falsa). Podemos resumir então que as teorias científicas vigentes nada mais são que a “explicação menos errada” da realidade. Não nos pronunciamos aqui contra a ciência e seus avanços tecnológicos. Isto seria absurdo. Apenas questionamos a utilização de um centro (intelectual), quando possuímos tantas outras faculdades cognicivas.

Uma prova cabal disto que afirmamos é a “Teoria Gravitacional”. O modelo proposto por Sir Isaac Newton foi durante muito tempo considerado como uma lei exata. Hoje já se sabe que a referida lei não pode ser sustentada em experimentos envolvendo movimentos em velocidades próximas à da luz ou em proximidade a campos gravitacionais fortes. Então, como fica a lei da gravidade nestas situações? Qual é a verdadeira realidade da lei da gravidade? Sem estas condições “extraordinárias”, as Leis de Sir Isaac Newton ainda continuam sendo um excelente modelo de movimento e da gravitação universal.
Mais uma vez deixamos claro que não somos contra a ciência oficial. Ela apenas é parte de um processo de nossa sociedade, e acreditamos que como forma de investigação é limitada. Nós, gnósticos, temos meios para a verificação da realidade. Isto de utilizar apenas parte de nosso potencial (Centro Intelectual) nos parece demasiado deficiente.

Uma forma de acabarmos com este dualismo de nossa mente e obtermos conhecimento é através de uma prática muito difundida na civilização oriental: a Meditação. Esta prática pode ser definida como “instrospecção”. Podemos dividir a Meditação, essencialmente, em quatro partes: Asana, Dharana, Dhyana e Samadhi.

Asana refere-se a uma posição confortável para a prática da meditação. Qualquer posição na qual você se sinta confortável. Dharana é o termo empregado para simbolizar a Concentração. Devemos nos concentrar cada vez mais, e manter sempre nossa atenção no momento presente, não divagando pelo passado (memórias) e futuro (expectativas). Dhyana é a meditação em si mesmo, contemplação, fim dos processos intelectuais. Samadhi é o êxtase espiritual, a comunhão com Deus, a possibilidade de obtenção do conhecimento.

Deixamos aqui um convite às práticas da meditação, como forma de compreensão de si mesmo e do universo.

Adicionar ao Del.icio.us Adicionar ao Digg
Envie este post por email.
Rede de Links no ou no

2 Comentários

  1. Pan Veritrax

    Olá.

    Felizmente essa etapa de puro racionalismo já está passando. Ela foi necessária para o amadurecimento do Centro Intelectual e também como uma reação ao extremo “emocionalismo” vivido em épocas anteriores durante o amadurecimento do Centro Emocional.

    A ciência é a grande arma em favor da consciência nos nossos dias assim como a fé já foi há vários séculos atrás. E estamos em uma época muito boa nesse sentido já que, agora, o pensamento científico já está alcançando um estado mais equilibrado reunindo o método científico às percepções mais sutis extendendo sua ação e resgatando a forma holística de estudo da natureza.

    Todos os ramos da ciência contemporânea estão se aproximando cada vez mais do que nós gnósticos chamamos esoterismo. Ao meu ver essa era a meta dos grandes mestres da humanidade responsáveis pela instalação do Iluminismo. O Iluminismo e o o Método Científico formulado nessa proposta representam grandes passos no processo coletivo de liberação da consciência. Mas essa proposta que favorece o melhor das capacidades intelectuais do homem teve que passar por esse período de “adaptação” onde predominou o ceticismo.

    Agora, passado esse período, podemos usufruir dessa ferramenta imprecindível que é o Método Científico em nosso trabalho espiritual. Mas como essa ferramenta ainda é relativamente jovem temos muito trabalho pendente no sentido de desenvolver uma metodologia mais eficiente para a realização dos ideais gnósticos de forma adequada ao paradigma em que vivemos.

    L. L. L. L.

    Pan Veritrax

  2. Paulo Sérgio

    Olá.
    Sobre o iluminismo, não podemos esquecer que ele tem a sua origem remota na expansão marítima portuguesa de 1420, seguida depois pela castelhana, ambas dando enfase ao “claramente visto” e à experimentação, revelando novos mundos de culturas distintas e exóticas.
    Como consequência destas investidas marítimas, o protestantismo eclodia pouco depois do achamento do Brasil, então terras de Vera Cruz, e uma nova forma capitalista mercantil fazia eco no espaço comercial europeu.
    O quantitativo era a linguagem dominante, abrindo espaço, anos depois, à Revolução Industrial. Na encruzilhada das inovações técnicas e das mentalidades, o iluminismo abraçou a matematização da conduta geral da humanidade, preterindo a sensibilidade e a realidade extra-sensorial.
    Com o aparecimento, no seculo 17, desta transformação social e cultural, surgiu, no seio do gnosticismo, o movimento rosacruz, propondo a conciliação entre as ciências positivista/materialista e as ciências místicas/esotéricas.
    Não negando a importância da ciência matematizável, este movimento esotérico dava destaque à ciência oculta de forma a evitar a supremacia monilítica do materialismo ciêntífico e, como consequência, social.
    O presente mostra que o homem necessita recuperar o seu lado transcendente, para resolver muitos dos problemas criados pela ciência puramente mecanicista.
    Resta-nos sacralizar o profano, nas mais diversas áreas, para assim obtermos respostas para as graves inquietações dos tempos modernos.

Envie um comentário!

Logado como . Logout »