Intuição: Sagrada ou Suprimida? (1/2)

>Coluna: Kleiton Luiz See this post in English

Por: Kleiton Luiz.

Há tempo o homem tem buscado o conhecimento. E, devido às formas e métodos utilizados, podemos dividir esta busca de duas formas básicas, ou dois estilos diferentes: O método ocidental e o método oriental. O método ocidental, aquele no qual estamos inseridos, sofreu grandes mudanças de paradigmas ao longo da história. O conhecimento grego, romano, egípcio – a base do conhecimento ocidental – sofreu diversas alterações; A base deste conhecimento era a percepção do mundo exterior e o uso da razão como ferramenta para buscar entender o universo. Já o conhecimento Oriental está baseado nos ensinamento de grandes seres que viveram na Índia, China e Japão, principalmente.
No Ocidente, o fim do Império Romano do Ocidente, após as invasões bárbaras, marca o início da Idade Média ou Idade das Trevas, como também é conhecida. Isso porque neste período histórico, a civilização ocidental esteve sob o forte domínio do pensamento eclesiástico, deixando para trás todo e qualquer tipo de discernimento provindo da razão, já que a Igreja Católica Apostólica Romana era a única detentora do conhecimento. Muitos livros, tratados, pergaminhos e papiros foram simplesmente destruídos, para que o homem fosse salvo apenas por sua fé.
Analisando sob o ponto de vista gnóstico, e ampliando o tema, poderíamos dizer que a Terra, como planeta, pode ser visto também como um grande organismo. E como um organismo, também possui os cilindros que vimos na primeira aula. Enquanto nas civilizações antigas tínhamos o uso da Razão (Centro Intelectual), balanceada com o uso do Teatro (Centro Emocional), também tínhamos o uso das Danças Sagradas (Centro Motor), ou seja, o conhecimento era passado através daquilo que denominamos “três cérebros” – Cérebro Intelectual, Cérebro Emocional e Cérebro Motor/Instintivo/Sexual – o mesmo não ocorreu durante a Idade Média. Segundo a Escolástica, a linha de pensamento vigente na época, o uso do Centro Intelectual (Razão) deveria ser submisso em relação ao uso do Centro Emocional (Fé). Criou-se assim um desequilíbrio entre Razão e Fé; O homem instruído desta época era – via de regra – um clérigo, que possuía um pequeno conhecimento sobre as ciências naturais e que tinha a missão de “salvar almas”. Um retrato interessante desta época podemos evidenciar no filme “O Nome da Rosa”.
Existe também em nosso Universo aquilo que podemos definir como uma lei universal, a “Lei do Pêndulo”. Ou seja, tudo deve estar em constante equilíbrio e harmonia, mas quando algo tende para um lado, de acordo com esta lei, este mesmo algo tenderá para o outro lado, a fim de equilibrar e balancear a energia do sistema. Chama-se a esta Lei de “Lei do Pêndulo”, pois se assimila muito com o movimento dos antigos pêndulos de relógio. Estes pêndulos que são os responsáveis pelo funcionamento do sistema. Aqui deixamos uma reflexão: Se os pêndulos são necessários para o funcionamento do sistema, será que nossa vida particular também não está baseada nesta lei dos pêndulos? Será que não usamos nossas energias de forma desequilibrada e desarmônica, e desta forma será que não contribuímos para que este sistema perpetue-se infinitamente? Essa é a alegoria da Roda de Samsara, que gira incessantemente. Uma das propostas da Gnosis é esta: O Equilíbrio, e por consequência, a experiência direta.
Após a Idade das Trevas, os pensadores da época começaram a questionar a real importância da Igreja em suas vidas. Surgiu um movimento denominado “Renascimento”, pois fazia renascer os preceitos da antiguidade clássica. Podemos dizer que com o Renascimento, o pensamento e a forma de olhar a vida voltaram a ter uma influência grega e romana. O pêndulo deste grande mecanismo planetário estava de volta ao equilíbrio. Nesta época surgem muitos pensadores, artistas, músicos, ou seja, expoentes clássicos admirados até hoje. O preparo e estudo estavam agora não apenas nos clérigos da Igreja, mas nos homens livres das cidades. Isso fez com que a cultura e a ciência expandissem-se até níveis não vistos antes. Desenvolveram-se muitas ciências, e geralmente os homens tinham instrução em diversas desses ramos, como física, matemática, medicina, astrologia, astronomia, botânica, engenharia, pintura, arquitetura… Se o Escolasticismo era a proposta filosófica da Idade Média, o Humanismo era a proposta da Idade Moderna. E os humanistas almejavam o homem ideal, perfeito em corpo e espírito, sendo ao mesmo tempo um filósofo, um cientista e um artista, ou seja, um homem equilibrado. O Pêndulo universal voltava mais uma vez ao equilíbrio com o Renascimento Europeu.

(Continua…)

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2 Comentários

  1. Cristiano Alexandre Moretti

    Vejo essas fases da história ocidental, tomadas por uma ótica mais global, como um processo de adadurecimento das Mônadas como preparação para um trabalho mais definitivo. Lá nos tempos de antigamente quando valia o Código de Hamurabi as Mõnadas passaram pelo processo de amadurecimento instintivo. Por isso as regras eram tão duras e violêntas. O foco era a obediência e a disciplina. Depois veio a fase supostamente devocional da Idade das Trevas onde as Mônadas tinham apenas que acreditar. Foi o tempo do amadurecimento emocional. Veio, então, a renascença e o iluminismo trazendo o foco para a razão e fazendo com que as Mônadas encarnadas nestas épocas amadurececem intelectualmente. E, para os Espíritos Virginais que passaram por todo esse processo ao longo de várias vidas, chega a hora de amadurecer espiritualmente e lançar-se à via da Iluminação e da Revolução da Consciência. Vejo esta linha histórica global como um processo de amadurecimento para algumas Mônadas. E muitas outras ainda estão passando por cada um destes estágios em locais do mundo onde o paradigma local ofereça a oportunidade de cumprirem seu estágio de amadurecimento.

    Quanto à Idade das Trevas, todos comentam que foi uma época de atraso e de repressão de idéias (daí o seu nome…). Mas temos que lembrar que, enquanto alguns países do centro da Europa viviam nessas “trevas” outros lugares gozavam de pleno avanço cultural e principalmente esotérico. É o caso da Ibéria que, durante a chamada Idade das Trevas, estava sob domínio árabe e oferecia um ambiente de grande liberdade e estimulo para a produção filosófica. Foi na Ibéria desta época que se gestou a cabala, a alquimia e toda a base da Tradição Esotérica Ocidental moderna. Então essa história de “Idade das Trevas” é relativa…

    Quanto à diferença entre a perspectiva ocidental e a oriental penso que o traço mais marcante que diferencia as duas e a aceitação, por parte da Tradição Ocidental, o mundo material como ele é. Os que seguem a Tradição Esotérica Ocidental não brigam com a cultura atual ou com a ciência mas buscam tirar o mãximo proveito delas sabendo que tudo o que existe no mundo físico tem um propósito para ser deste jeito. Os que seguem a Tradição Oriental já preferem se isolar e buscar lugares mais “puros” ou tranquílos para realizarem suas práticas esotéricas. A Tradição Esotérica Ocidental é, desde seu início, de tendência cosmopolita, urbana, e é a mais adaptada para a prática inserida na vida diária pois utiliza esta própria vida como laboratório espiritual. Todos nós, ocultistas modernos, estamos inseridos neste paradigma das grandes cidades mas acho impressionante como a grande maioria ainda insiste em buscar a vida da Tradição Oriental enquanto a Tradição Ocidental está muito mais adaptada às necessidades que temos…

    De qualquer forma cada um tem uma característica pessoal, um ritmo próprio ou, como dizem os teosofistas, um “caminho de menor resistência”. Perceber qual é esse caminho e aproveitar essa menor resistência é uma questão de inteligência. Afinal, não há motivos para seguir o caminho mais difícil rumo à meta final, não é? E assim, buscando sua característica pessoal, cada um deve perceber se o caminho de menor resistência para si é pela via da Tradição Ocidental ou da Tradição Oriental.

    Mas que esta escolha seja voluntária e consciente. A grande maioria dos esoteristas seguem uma ou outra via porque seu instrutor disse isso ou aquilo ou porque a escola onde eles estão prega isso ou aquilo. Assim não tem jeito mesmo!… A única maneira de conseguir alguma coisa concreta e se focar nos resultados e, buscando-os, tentar perceber qual caminho vai gerar resultados mais facilmente…

    Penso que isso é uma questão de inteligência… É como dizia um amigo: “se você não é Desperto seja pelo menos esperto”…

    Ad Lux!

    Pan Veritrax

  2. Xuxu Luiz

    gostei muito deste último parágrafo
    Se você não é Desperto seja pelo menos esperto!

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