19/11/2007
Contos, Zen
Certa vez o mestre taoista Chuang Tzu sonhou que era uma borboleta, voando alegremente aqui e ali. No sonho ele não tinha mais a mínima consciência de sua individualidade como pessoa. Ele era realmente uma borboleta. Repentinamente, ele acordou e descobriu-se deitado ali, uma pessoa novamente. Mas então ele pensou para si mesmo:
“Fui antes um homem que sonhava ser uma borboleta, ou sou agora uma borboleta que sonha ser um homem?”
19/11/2007
Contos, Zen
Bodhidharma, nascido em Sri Lanka uns 500 anos depois de Jesus Cristo, era o 3º filho do rei dessa região indiana. Aos 8 anos de idade podia-se afirmar que ele já tinha o satori. Eis aqui por quê:
Um dia, seu mestre, um monge muito ilustre chamado Hannya Tara, recebeu do rei uma pedra de valor inestimável.
O mestre perguntou aos 3 príncipes:
- Conheceis alguma coisa mais valiosa do que esta pedra em nosso mundo?
O príncipe mais velho respondeu:
- Somente vós, mestre, recebeste esse presente; estais de posse do mais belo tesouro da terra.
O 2º príncipe respondeu igualmente:
- Ainda que busquemos toda a nossa vida, não poderemos encontrar em nosso mundo uma pedra que se lhe compare.
Bodhidharma, que tinha então 8 anos, disse por sua vez:
- É um verdadeiro tesouro, um tesouro inestimável, mas é um tesouro deste mundo, um tesouro vulgar. Por isso mesmo penso que a nossa verdadeira sabedoria tem grande valor. Compreender o valor deste tesouro é igualmente uma forma de sabedoria; não obstante, tal sabedoria carece de profundidade; compreender o que o diamente é uma pedra preciosíssima, de valor muito maior que um caco de vidro, é sabedoria social.
E Bodhidharma rematou:
- A verdadeira sabedoria consiste em compreender-nos a nós mesmos.
Texto extraído do livro: A Tigela e o Bastão - Mestre Taisen Deshimaru
6/11/2007
Contos, Zen
Yamaoka Tesshu, quando um jovem estudante Zen, visitou um mestre após outro. Ele então foi até Dokuon de Shokoku. Desejando mostrar o quanto já sabia, ele disse, vaidoso:
- A mente, Buddha, e os seres sencientes, além de tudo, não existem. A verdadeira natureza dos fenômenos é vazia. Não há realização, nenhuma delusão, nenhum sábio, nenhuma mediocridade. Não há o dar e tampouco nada a receber!
Dokuon, que estava fumando pacientemente, nada disse. Subitamente ele acertou Yamaoka na cabeça com seu longo cachimbo de bambu. Isto fez o jovem ficar muito irritado, gritando xingamentos.
- Se nada existe,” perguntou, calmo, Dokuon, “de onde veio toda esta sua raiva?
4/11/2007
Contos, Zen
Mestre e discípulo foram até uma região onde havia fartura de arroz mas os habitantes daquele lugar possuíam talas em seus braços, o que os impedia de levarem o alimento à própria boca. No meio daquela fartura, passavam fome e eram fracos e subnutridos!
- Veja! - Disse o Mestre - Isto, é o inferno coletivo.
Em seguida, o Mestre guiou o Discípulo para uma região próxima e mostrou que nela também havia fartura de arroz e as pessoas também tinham os braços atados a talas mas eram saudáveis e bem nutridas pois uma levava o arroz à boca do outro, em um processo de interdependência e cooperação mútua.
- E isto é o Céu coletivo.
4/11/2007
Contos, Zen
Um mestre Zen recebeu um professor de universidade que veio lhe inquirir sobre sua arte. Este iniciou um longo discurso intelectual sobre suas dúvidas. O mestre, enquanto isso, serviu chá. Ele encheu completamente a xícara de seu visitante, e continuou a enchê-la, derramando chá pela borda. O professor, vendo o excesso se derramando, não pode mais se conter e disse:
“Está muito cheio. Não cabe mais chá!”.
“Como esta xícara”, o mestre disse, “Você está cheio de suas próprias opiniões e especulações. Como posso eu lhe demonstrar o Zen sem você primeiro esvaziar sua xícara?”
Fonte: http://www.geocities.com/karate_shotokan_br/conto7.htm