Arquivos para a categoria: 'Zen'

O Monge Padeiro

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Havia uma padaria em frente a um templo budista. O monge do templo precisou viajar e pediu que o dono da padaria cuidasse do templo, atendesse as visitas etc. Ocorre que chegou um monge viajante à aldeia. Antigamente, os monges viajavam, num espécie de treinamento monástico, visitando outros monges, mestres e mosteiros. Desafiavam os mais fortes no Dharma e mantinham-se treinando. O recém chegado também praticava assim. Nessas batalhas do Dharma, com perguntas e respostas, quem perdia era obrigado a deixar o templo; quem ganhava podia ficar como responsável. Uma batalha do Dharma era algo muito sério. Não era uma batalha de luta, mas de conhecimento, de experiências, de linguagem.

O monge visitante estava chegando e o dono da padaria, preocupadíssimo, ouvia a sugestão do chefe da aldeia: “Raspe a cabeça, coloque o manto e apenas sente-se diante da parede como se estivesse meditando. Faça como se estivesse em treinamento de silêncio, nada fale, nem escute e nem responda.” O dono da padaria se animou: “Ah, é fácil, isso eu posso fazer.” Raspou a cabeça, colocou o manto e sentou-se voltado para a parede.

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O Novo Guardião

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Certo dia, num mosteiro Zen, com a morte do guardião, foi preciso encontrar um substituto. O mestre (monge superior) convocou, então, todos os discípulos para descobrir quem seria o novo sentinela.

O mestre, com muita tranquilidade, falou:

- Assumirá o posto o monge que conseguir resolver primeiro o problema que eu vou apresentar.

Então ele colocou uma mesinha magnífica no centro da enorme sala em que estavam reunidos e, em cima dela, pôs um vaso de porcelana muito raro, com uma rosa amarela de extraordinária beleza a enfeitá-lo. E disse apenas:

- Aqui está o problema!

Todos ficaram olhando a cena: o vaso belíssimo, de valor inestimável, com a maravilhosa flor ao centro! O que representaria? O que fazer? Qual o enigma?

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Nas Mãos do Destino

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Contos Zen
Nas Mãos do Destino

Um grande guerreiro japonês chamado Nobunaga decidiu atacar o inimigo embora ele tivesse apenas um décimo do número de homens que seu oponente. Ele sabia que poderia ganhar mesmo assim, mas seus soldados tinham dúvidas. No caminho para a batalha ele parou em um templo Shintó e disse aos seus homens:

“Após eu visitar o relicário eu jogarei uma moeda. Se a Cara sair, iremos vencer; se sair a Coroa, iremos com certeza perder. O Destino nos tem em suas mãos.”

Nobunaga entrou no templo e ofereceu uma prece silenciosa. Então saiu e jogou a moeda. A Cara apareceu. Seus soldados ficaram tão entusiasmados a lutar que eles ganharam a batalha facilmente.

Após a batalha, seu segundo em comando disse-lhe orgulhoso: “Ninguém pode mudar a mão do Destino!”

“Realmente não…” disse Nobunaga mostrando-lhe reservadamente sua moeda, que tinha sido duplicada, possuindo a Cara impressa nos dois lados.

Uma Parábola

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Contos ZenUma Parábola

Certa vez, disse o Buddha uma parábola:

Um homem viajando em um campo encontrou um tigre. Ele correu, o tigre em seu encalço. Aproximando-se de um precipício, tomou as raízes expostas de uma vinha selvagem em suas mãos e pendurou-se precipitadamente abaixo, na beira do abismo. O tigre o farejava acima. Tremendo, o homem olhou para baixo e viu, no fundo do precipício, outro tigre a esperá-lo. Apenas a vinha o sustinha.

Mas ao olhar para a planta, viu dois ratos, um negro e outro branco, roendo aos poucos sua raiz. Neste momento seus olhos perceberam um belo morango vicejando perto. Segurando a vinha com uma mão, ele pegou o morango com a outra e o comeu.

“Que delícia!”, ele disse.

Silêncio que supera o bem e o mal

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Contos ZenSilêncio que supera o bem e o mal

Perguntaram a um homem eminente que havia viajado muito ao redor do mundo se poderia falar sobre alguém que tivesse conhecido.

Ele respondeu: “Viajei pelos sete climas, mas no mundo inteiro não vi mais que um homem e meio. A unidade foi um homem que morando numa zawya não falava nada de bom nem nada de mal de ninguém. A metade era um homem excelente nisto, que das pessoas somente falava o bem”.

Enquanto o bem e o mal te acompanharem, não terás coração clarividente nem alma consciente; mas depois que deixes um e outro, tua alma será absorvida dentro do segredo da santidade.

Pérolas do Oriente

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Contos Zen Um Samurai pergunta a seus discípulos:

“Se alguém chega até você com um presente, e você
não o aceita, a quem pertence o presente?”

Um dos seus discípulos responde.

“A quem tentou entregá-lo.”

Então, disse o Mestre:

“O mesmo vale para a inveja, a raiva e os insultos. Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carregava consigo. A sua paz interior, depende exclusivamente de você. As pessoas não podem lhe tirar a calma. Só se você permitir…”

Zen – Dar e Receber

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Um professor de Zen, após anos como orientador de um aluno particularmente sensível e sábio, resolveu lhe dar um presente:

“Estou ficando velho, em breve morrerei. Para simbolizar sua sucessão a mim como mestre vou lhe dar este livro valiosíssimo.”

O discípulo, entretanto, não estava interessado em livros:

“Não é necessário, obrigado, mestre. Eu aceitei o seu ensinamento como o Zen que prescinde a palavra escrita. Gosto de sua face original. Fique com seu precioso livro.”

O professor insistiu, e afirmou, orgulhoso:

“Este livro atravessou sete gerações, é uma relíquia! Por favor, fique com ele como um símbolo de sua aceitação do manto e da tigela!”

O outro apenas disse:

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Zen – Apenas uma estátua

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Certa vez Tan-hsia, monge da dinastia Tang, fez uma parada em Yerinji, na Capital, cansado e com muito frio. Como era impossível conseguir abrigo e fogo, e como era evidente que não sobreviveria à noite, retirou em um antigo templo uma das imagens de madeira entronizadas de Buddha, rachou-a e preparou com ela uma fogueira, assim aquecendo-se. O monge guardião de um templo mais novo próximo, ao chegar ao local de manhã e ver o que tinha acontecido, ficou estarrecido e exclamou:

“Como ousais queimar a sagrada imagem de Buddha?!?”

Tan-hsia olhou-o e depois começou a mexer nas cinzas, como se procurasse por algo, dizendo:

“Estou recolhendo as Sariras (*) de Buddha…”

“Mas,” disse o guardião confuso “este é um pedaço de madeira! Como podes encontrar Sariras em um objeto de madeira?”

“Nesse caso,” retorquiu o outro “sendo apenas uma estátua de madeira, posso queimar as duas outras imagens restantes?”

(*) Sariras – tais objetos são depósitos minerais – como pequenas pedras – que sobram de alguns corpos cremados, e que segundo a tradição foram encontrados após a cremação do corpo de Gautama Buddha, sendo considerados objetos sagrados.

Koan: Em que parte de um objeto fica o reverenciado Sagrado?

Zen – Sem Motivo

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Certo dia, três amigos passeavam e viram um homem no cume de um pequeno monte, sentado. Curiosos sobre o que estaria o homem fazendo, foram até ele, usando a trilha na encosta. Chegando lá, o primeiro disse:”Olá, está esperando um amigo?”

“Não…” – respondeu o outro. O segundo homem replicou:

“Então está respirando o ar puro!”

“Não…” – disse o estranho. O terceiro amigo disse:

“Já sei! Você estava passando e resolveu olhar este belo cenário.”

“Não, na verdade…” – repetiu o homem. Os três amigos então exclamaram ao mesmo tempo, estupefatos:

“Mas então, o que faz aqui?!”

O homem disse com um suave sorriso:

“Apenas ESTOU aqui…”

Zen – Isso também passará

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Um praticante foi até o seu professor de meditação, tristemente, e disse:
“Minha prática de meditação é horrível! Ou eu fico distraído, ou minhas pernas doem muito, ou eu constantemente fico com sono. É simplesmente horrível!!!!”
“Isso passará,” o professor disse suavemente.
Uma semana depois, o estudante retornou ao seu professor, eufórico:
“Minha prática de meditação é maravilhosa! Eu sinto-me tão consciente, tão pacífico, tão relaxado, tão vivo! É simplesmente maravilhoso!!!!!”
O mestre disse tranqüilamente:
“Isso também passará.”