28/11/2007
Contos, Zen
Se existem três sapos numa folha, e um deles decide pular da folha para a água, quantos sapos restam na folha? Resposta certa: três sapos! Porque o sapo apenas decidiu pular mas ele não fez isso. Às vezes a gente não se parece com o sapo?
Quando decidimos fazer isso, fazer aquilo e no final não fazemos nada? Na vida temos que tomar muitas decisões. Algumas fáceis outras difÃcies. Rir é correr o risco de parecer tolo. Chorar é correr o risco de parecer sentimental. Abrir-se para alguém é arriscar envolvimento. Expor as idéias e sonhos é arriscar-se a perdê-los. Amar é correr o risco de não ser amado. Viver é correr o risco de morrer. Ter esperança é correr o risco de se decepcionar. Tentar é correr o risco de falhar.
Os riscos precisam ser enfrentados porque o maior fracasso na vida é não arriscar nada. A pessoa que não arrisca nada, não faz nada, não tem nada, é nada. Ela pode evitar o sofrimento e a dor mas não aprende, não sente, não muda, não cresce, não vive. É uma escrava que teme a liberdade. Apenas quem arrisca é livre.
Fonte: http://www.geocities.com/karate_shotokan_br/conto8.htm
26/11/2007
Contos, Zen
Um jovem atravessou o Japão em busca da escola de um famoso praticante de artes marciais. Chegando ao dojô, foi recebido em audiência pelo sensei.
— O que você quer de mim? – perguntou-lhe o mestre.
— Quero ser seu aluno e tornar-me o melhor kararteka do paÃs – respondeu o rapaz . – Quanto tempo preciso estudar?
— Dez anos, pelo menos – respondeu o mestre.
— Dez anos é muito tempo – tornou o rapaz. – E se eu praticasse com o dobro da intensidade dos outros alunos?
— Vinte anos – disse o mestre.
— Vinte anos! E se eu praticar noite e dia, dedicando todo o meu esforço?
— Trinta anos – foi a resposta do mestre.
— Mas, eu lhe digo que vou dedicar-me em dobro, e o senhor me responde que a duração será maior? – espantou-se o jovem.
— A resposta é simples. Quando um olho está fixo aonde se quer chegar, só resta um para se encontrar o caminho.
Fonte: http://www.geocities.com/karate_shotokan_br/conto2.htm
26/11/2007
Contos, Zen
O aluno perguntou ao Mestre :
- Como faço para me tornar o maior dos guerreiros ?
- Vá atrás daquelas colina e insulte a rocha que se encontra no meio da planÃcie.
- Mas para que, se ela não vai me responder ?
- Então golpeie-a com a tua espada.
- Mas minha espada se quebrará !
- Então agrida-a com tuas próprias mãos.
- Assim eu vou machucar minhas mãos … E também não foi isso que eu perguntei. O que eu queria saber era como que eu faço para me tornar o maior dos guerreiros.
- O maior dos guerreiros e aquele que é como a rocha, não liga para insultos nem provocações, mas está sempre pronto para desvencilhar qualquer ataque do inimigo
21/11/2007
Contos, Zen
Um monge cruzava uma ponte na qual mal se conseguia equilibrar. Embora seus passos fossem curtos e lentos, a ponte cada vez baloiçava mais. Nisto um escorpião, escondido na ponte, começou a subir pela sua mão. Continuou lentamente pelo braço até alcançar-lhe o ombro . O monge gelado de medo parou a sua caminhada. Antes de entrar em pânico lembrou-se de respirar fundo e acalmar a mente. O escorpião não se mexeu e, como numa providência divina, uma rajada de vento fe-los balançar violentamente e o escorpião caiu pelo abismo. Feliz , o monge agradeceu ao vento e seguiu sua caminhada.
21/11/2007
Contos, Zen
Certo dia um rei chamou ao seu palácio o mestre zen Muhak – que viveu de 1317 a 1405 – e lhe disse que, para afastar o cansaço e a tensão do trabalho administrativo, queria ter uma conversa completamente informal com ele. Em seguida, o rei comentou que Muhak parecia um grande porco faminto procurando comida.
- E você, excelência parece o Buda Sakiamuni meditando, sobre um pico elevado dos Himalaias.
O rei ficou surpreso com a resposta de Muhak.
- Comparei você a um porco, e você me compara ao Buda?
- É que um porco só pode ver porco, excelência, e um Buda só pode ver Buda
19/11/2007
Contos, Zen
Certa vez o mestre taoista Chuang Tzu sonhou que era uma borboleta, voando alegremente aqui e ali. No sonho ele não tinha mais a mÃnima consciência de sua individualidade como pessoa. Ele era realmente uma borboleta. Repentinamente, ele acordou e descobriu-se deitado ali, uma pessoa novamente. Mas então ele pensou para si mesmo:
“Fui antes um homem que sonhava ser uma borboleta, ou sou agora uma borboleta que sonha ser um homem?”
19/11/2007
Contos, Zen
Bodhidharma, nascido em Sri Lanka uns 500 anos depois de Jesus Cristo, era o 3º filho do rei dessa região indiana. Aos 8 anos de idade podia-se afirmar que ele já tinha o satori. Eis aqui por quê:
Um dia, seu mestre, um monge muito ilustre chamado Hannya Tara, recebeu do rei uma pedra de valor inestimável.
O mestre perguntou aos 3 prÃncipes:
- Conheceis alguma coisa mais valiosa do que esta pedra em nosso mundo?
O prÃncipe mais velho respondeu:
- Somente vós, mestre, recebeste esse presente; estais de posse do mais belo tesouro da terra.
O 2º prÃncipe respondeu igualmente:
- Ainda que busquemos toda a nossa vida, não poderemos encontrar em nosso mundo uma pedra que se lhe compare.
Bodhidharma, que tinha então 8 anos, disse por sua vez:
- É um verdadeiro tesouro, um tesouro inestimável, mas é um tesouro deste mundo, um tesouro vulgar. Por isso mesmo penso que a nossa verdadeira sabedoria tem grande valor. Compreender o valor deste tesouro é igualmente uma forma de sabedoria; não obstante, tal sabedoria carece de profundidade; compreender o que o diamente é uma pedra preciosÃssima, de valor muito maior que um caco de vidro, é sabedoria social.
E Bodhidharma rematou:
- A verdadeira sabedoria consiste em compreender-nos a nós mesmos.
Texto extraÃdo do livro: A Tigela e o Bastão – Mestre Taisen Deshimaru
6/11/2007
Contos, Zen
Yamaoka Tesshu, quando um jovem estudante Zen, visitou um mestre após outro. Ele então foi até Dokuon de Shokoku. Desejando mostrar o quanto já sabia, ele disse, vaidoso:
- A mente, Buddha, e os seres sencientes, além de tudo, não existem. A verdadeira natureza dos fenômenos é vazia. Não há realização, nenhuma delusão, nenhum sábio, nenhuma mediocridade. Não há o dar e tampouco nada a receber!
Dokuon, que estava fumando pacientemente, nada disse. Subitamente ele acertou Yamaoka na cabeça com seu longo cachimbo de bambu. Isto fez o jovem ficar muito irritado, gritando xingamentos.
- Se nada existe,” perguntou, calmo, Dokuon, “de onde veio toda esta sua raiva?
4/11/2007
Contos, Zen
Mestre e discÃpulo foram até uma região onde havia fartura de arroz mas os habitantes daquele lugar possuÃam talas em seus braços, o que os impedia de levarem o alimento à própria boca. No meio daquela fartura, passavam fome e eram fracos e subnutridos!
- Veja! – Disse o Mestre – Isto, é o inferno coletivo.
Em seguida, o Mestre guiou o DiscÃpulo para uma região próxima e mostrou que nela também havia fartura de arroz e as pessoas também tinham os braços atados a talas mas eram saudáveis e bem nutridas pois uma levava o arroz à boca do outro, em um processo de interdependência e cooperação mútua.
- E isto é o Céu coletivo.
4/11/2007
Contos, Zen
Um mestre Zen recebeu um professor de universidade que veio lhe inquirir sobre sua arte. Este iniciou um longo discurso intelectual sobre suas dúvidas. O mestre, enquanto isso, serviu chá. Ele encheu completamente a xÃcara de seu visitante, e continuou a enchê-la, derramando chá pela borda. O professor, vendo o excesso se derramando, não pode mais se conter e disse:
“Está muito cheio. Não cabe mais chá!”.
“Como esta xÃcara”, o mestre disse, “Você está cheio de suas próprias opiniões e especulações. Como posso eu lhe demonstrar o Zen sem você primeiro esvaziar sua xÃcara?”
Fonte: http://www.geocities.com/karate_shotokan_br/conto7.htm