Arquivos para a categoria: 'Contos'

O Sapo

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Se existem três sapos numa folha, e um deles decide pular da folha para a água, quantos sapos restam na folha? Resposta certa: três sapos! Porque o sapo apenas decidiu pular mas ele não fez isso. Às vezes a gente não se parece com o sapo?
Quando decidimos fazer isso, fazer aquilo e no final não fazemos nada? Na vida temos que tomar muitas decisões. Algumas fáceis outras difícies. Rir é correr o risco de parecer tolo. Chorar é correr o risco de parecer sentimental. Abrir-se para alguém é arriscar envolvimento. Expor as idéias e sonhos é arriscar-se a perdê-los. Amar é correr o risco de não ser amado. Viver é correr o risco de morrer. Ter esperança é correr o risco de se decepcionar. Tentar é correr o risco de falhar.
Os riscos precisam ser enfrentados porque o maior fracasso na vida é não arriscar nada. A pessoa que não arrisca nada, não faz nada, não tem nada, é nada. Ela pode evitar o sofrimento e a dor mas não aprende, não sente, não muda, não cresce, não vive. É uma escrava que teme a liberdade. Apenas quem arrisca é livre.

Fonte: http://www.geocities.com/karate_shotokan_br/conto8.htm

Pérolas a porcos

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O Mestre Jalaludin e outros contam que, certo dia, Isa, o filho de Míriam, caminhava pelo deserto próximo de Jerusalém com um grupo de pessoas nas quais a cobiça ainda estava muito enraizada. Rogaram a Isa qua lhes revelasse o Nome Secreto com que ele revivia os mortos. E ele respondeu:
- Se lhes disser, abusarão dele.
- Estamos prontos e preparados para receber tal conhecimento; além do mais, irá reforçar nossa fé – foi a resposta dos que acompanhavam Isa.
- Não sabem o que estão pedindo – replicou Isa, mas lhes disse qual era a Palavra.
Pouco depois, aquelas pessoas seguiam por um lugar deserto quando depararam com um monte de osso descarnados.
- Testemos a Palavra – disseram uns aos outros. E assim fizeram.
Mal a Palavra foi pronunciada, os ossos se recobriram de carne e se transformaram novamente numa voraz besta selvagem que os destroçou. Os que forem dotados de razão compreenderão. Aqueles que a possuem em dose reduzida podem instruir-se por meio deste relato.

O Aluno

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Um jovem atravessou o Japão em busca da escola de um famoso praticante de artes marciais. Chegando ao dojô, foi recebido em audiência pelo sensei.
— O que você quer de mim? – perguntou-lhe o mestre.
— Quero ser seu aluno e tornar-me o melhor kararteka do país – respondeu o rapaz . – Quanto tempo preciso estudar?
— Dez anos, pelo menos – respondeu o mestre.
— Dez anos é muito tempo – tornou o rapaz. – E se eu praticasse com o dobro da intensidade dos outros alunos?
— Vinte anos – disse o mestre.
— Vinte anos! E se eu praticar noite e dia, dedicando todo o meu esforço?
— Trinta anos – foi a resposta do mestre.
— Mas, eu lhe digo que vou dedicar-me em dobro, e o senhor me responde que a duração será maior? – espantou-se o jovem.
— A resposta é simples. Quando um olho está fixo aonde se quer chegar, só resta um para se encontrar o caminho.

Fonte: http://www.geocities.com/karate_shotokan_br/conto2.htm

A Rocha

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O aluno perguntou ao Mestre :
- Como faço para me tornar o maior dos guerreiros ?
- Vá atrás daquelas colina e insulte a rocha que se encontra no meio da planície.
- Mas para que, se ela não vai me responder ?
- Então golpeie-a com a tua espada.
- Mas minha espada se quebrará !
- Então agrida-a com tuas próprias mãos.
- Assim eu vou machucar minhas mãos … E também não foi isso que eu perguntei. O que eu queria saber era como que eu faço para me tornar o maior dos guerreiros.
- O maior dos guerreiros e aquele que é como a rocha, não liga para insultos nem provocações, mas está sempre pronto para desvencilhar qualquer ataque do inimigo

O Monge e o Escorpião na Ponte

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Um monge cruzava uma ponte na qual mal se conseguia equilibrar. Embora seus passos fossem curtos e lentos, a ponte cada vez baloiçava mais. Nisto um escorpião, escondido na ponte, começou a subir pela sua mão. Continuou lentamente pelo braço até alcançar-lhe o ombro . O monge gelado de medo parou a sua caminhada. Antes de entrar em pânico lembrou-se de respirar fundo e acalmar a mente. O escorpião não se mexeu e, como numa providência divina, uma rajada de vento fe-los balançar violentamente e o escorpião caiu pelo abismo. Feliz , o monge agradeceu ao vento e seguiu sua caminhada.

O Observador

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Certo dia um rei chamou ao seu palácio o mestre zen Muhak – que viveu de 1317 a 1405 – e lhe disse que, para afastar o cansaço e a tensão do trabalho administrativo, queria ter uma conversa completamente informal com ele. Em seguida, o rei comentou que Muhak parecia um grande porco faminto procurando comida.
- E você, excelência parece o Buda Sakiamuni meditando, sobre um pico elevado dos Himalaias.
O rei ficou surpreso com a resposta de Muhak.
- Comparei você a um porco, e você me compara ao Buda?
- É que um porco só pode ver porco, excelência, e um Buda só pode ver Buda

O Sonho

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Certa vez o mestre taoista Chuang Tzu sonhou que era uma borboleta, voando alegremente aqui e ali. No sonho ele não tinha mais a mínima consciência de sua individualidade como pessoa. Ele era realmente uma borboleta. Repentinamente, ele acordou e descobriu-se deitado ali, uma pessoa novamente. Mas então ele pensou para si mesmo:
“Fui antes um homem que sonhava ser uma borboleta, ou sou agora uma borboleta que sonha ser um homem?”

O Verdadeiro Tesouro

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Bodhidharma, nascido em Sri Lanka uns 500 anos depois de Jesus Cristo, era o 3º filho do rei dessa região indiana. Aos 8 anos de idade podia-se afirmar que ele já tinha o satori. Eis aqui por quê:
Um dia, seu mestre, um monge muito ilustre chamado Hannya Tara, recebeu do rei uma pedra de valor inestimável.
O mestre perguntou aos 3 príncipes:
- Conheceis alguma coisa mais valiosa do que esta pedra em nosso mundo?
O príncipe mais velho respondeu:
- Somente vós, mestre, recebeste esse presente; estais de posse do mais belo tesouro da terra.
O 2º príncipe respondeu igualmente:
- Ainda que busquemos toda a nossa vida, não poderemos encontrar em nosso mundo uma pedra que se lhe compare.
Bodhidharma, que tinha então 8 anos, disse por sua vez:
- É um verdadeiro tesouro, um tesouro inestimável, mas é um tesouro deste mundo, um tesouro vulgar. Por isso mesmo penso que a nossa verdadeira sabedoria tem grande valor. Compreender o valor deste tesouro é igualmente uma forma de sabedoria; não obstante, tal sabedoria carece de profundidade; compreender o que o diamente é uma pedra preciosíssima, de valor muito maior que um caco de vidro, é sabedoria social.
E Bodhidharma rematou:
- A verdadeira sabedoria consiste em compreender-nos a nós mesmos.

Texto extraído do livro: A Tigela e o Bastão – Mestre Taisen Deshimaru

Nada Existe

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Yamaoka Tesshu, quando um jovem estudante Zen, visitou um mestre após outro. Ele então foi até Dokuon de Shokoku. Desejando mostrar o quanto já sabia, ele disse, vaidoso:
- A mente, Buddha, e os seres sencientes, além de tudo, não existem. A verdadeira natureza dos fenômenos é vazia. Não há realização, nenhuma delusão, nenhum sábio, nenhuma mediocridade. Não há o dar e tampouco nada a receber!
Dokuon, que estava fumando pacientemente, nada disse. Subitamente ele acertou Yamaoka na cabeça com seu longo cachimbo de bambu. Isto fez o jovem ficar muito irritado, gritando xingamentos.
- Se nada existe,” perguntou, calmo, Dokuon, “de onde veio toda esta sua raiva?

Parábolas Sufis

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Um Mestre Sufi contava sempre uma parábola no final de cada aula, mas os alunos nem sempre entendiam o seu significado.
- Mestre, – perguntou um deles, certo dia – tu contas-nos contos mas nunca nos explicas o que significam.
- As minhas desculpas. – disse o Mestre – Como compensação, deixa-me que te ofereça um belo pêssego.
- Obrigado, Mestre – disse o discípulo, comovido.
- Mais ainda: como prova do meu afecto, queria descascar-te o pêssego. Permites que o faça?
- Sim, muito obrigado. – disse o discípulo.
- E, já que tenho a faca na mão, não gostarias que eu cortasse o pêssego em pedaços, para que te seja mais fácil comê-lo?
- Sim, mas não quero abusar da tua generosidade, Mestre…
- Não é um abuso; sou eu que me estou a oferecer. Quero apenas agradar-te. Permite-me também que mastigue o pêssego antes de to oferecer…
- Não, Mestre! Não gostaria que fizesses isso! – queixou-se o discípulo, surpreendido.
O Mestre fez uma pausa e disse:
- Se vos explicasse o sentido de cada conto, seria como dar-vos de comer fruta mastigada.