Uma Lição de Fé com John Constantine
24/08/2007 >Coluna: Giordano Cimadon 7 Comentários »Noite passada assisti novamente o filme Constantine. Queria entender melhor a história, já que da primeira vez fiquei um pouco perdido na trama. Apesar de John Constantine ser um personagem famoso para muitas pessoas, pessoalmente nunca tinha ouvido falar dele, nem mesmo de suas histórias, exceto os elogios entusiasmados de alguns amigos após o lançamento do filme.
Acredito que a história atraia inúmeros simpatizantes do ocultismo e do esoterismo, porque apresenta um personagem dotado de rebeldia, de poderes especiais e de uma personalidade socialmente marginal, desejado pelo inferno, rejeitado pelo céu e necessário pela terra, e que busca sua redenção combatendo demônios, expulsando-os de volta para o inferno.
Algumas cenas tornam o filme ainda muito mais atraente, como o desdobramento astral que Constantine faz, colocando seus pés numa bacia d’água e olhando fundo nos olhos do gato de Angela, para então se encontrar com Isabel no inferno.
No entanto, quero chamar a atenção para uma cena nos primeiros minutos do filme, quando Gabriel tenta frustrar a esperança que Constantine ainda alimenta de prolongar seu tempo na terra e assim garantir sua entrada no céu, e alerta que Deus não quer apenas o seu trabalho, mas também auto-sacrifÃcio e fé. Quando Constantine afirma que tem fé, Gabriel retruca: “não, não, você conhece”.
Ou seja, Constantine conhece Deus, mas não tem fé n’Ele. E este é o seu problema. Constantine sabe como funcionam as regras que encaminham as almas para cima ou para baixo, e as cumpre para alcançar sua salvação. “Ainda tentando comprar sua entrada no céu”, insinua Gabriel. “Não é assim que funciona”, o anjo alerta.
Em termos gnósticos, podemos dizer que o personagem Constantine – apesar de ser irreverente e politicamente incorreto – possui Sophia, mas não possui Pistis. Enquanto a palavra grega sophia significa sabedoria, pistis significa fé. Pistis Sophia portanto quer dizer Fé-Sabedoria ou Poder-Sabedoria, já que a fortaleza e o verdadeiro poder do gnóstico é sua própria fé no Salvador Salvandus, ou seja, no Cristo.
Constantine é capaz de enxergar aquilo que a maioria não vê. E sabe que, ajudando outras pessoas, pode alcançar sua salvação. Mas mesmo assim não consegue, porque não tem fé em Deus (apesar de todos terem fé nele). Pelo menos até o final do filme, quando consegue enganar o próprio Satanás. Tendo sido ajudado por Constantine, o senhor das trevas lhe concede uma vantagem, mas o herói abre mão de benefÃcios pessoais em favor de ajudar Isabel, livrando-a da danação eterna, castigo por ter se suicidado. E é assim, imitando a atitude de Cristo, que Constantine nos ensina que é necessário mais que sabedoria para alcançar a redenção. É necessário fé e auto-sacrifÃcio.









