A Essência e o Ego

>Coluna: Kleiton Luiz See this post in English

Por: Kleiton Luiz.

Quando alguma situação desesperadora – ou de extremo significado ocorre em nossas vidas é que percebemos, nos damos conta, de que possuímos uma parte espiritual, ou seja, que somos filhos disto que chamam “Deus”. Poderíamos nos atrever a dizer que lembramos que ele existe.

Nestes precisos momentos é que nos pomos, com toda nossa fé, em contato com esta magnífica força. Apenas quem já viveu, já experimentou estas situações o sabe. Logo, nossa parte sublime e espiritual está alheia a toda classe de intelectualismos, dúvidas, questionamentos, provas, contestações, etc.

É nossa parte divina que nos permite a vida e esta deve então ser vivida em sua totalidade. A este reflexo de Deus que possuímos em nosso interior denominamos Essência.

Ao analisarmos o significado das palavras, se prestarmos a devida atenção, muito aprenderemos. Aquilo que é mais o importante em alguma coisa, aquilo que não pode faltar jamais, aquilo que é indispensável, denominamos Essencial… Fica claro que a palavra Essencial deriva da palavra Essência. Muito óbvio então que o importante, o indispensável, é cultivar nossa parte espiritual, ou seja, nossa Essência Interior.
Na Idade Média surgiram pessoa que eram capazes de transformar o chumbo em ouro. Este metal muito valioso sempre foi apreciado pelas antigas culturas, em todos os continentes… Podemos evidenciar isso através da Mitologia: A busca pelo Velocino de Ouro, o Pote de ouro atrás do Arco Íris, a Arca da Aliança – feita de puro ouro.

A busca pelo ouro sempre ocorreu e sempre ocorrerá em nossa história, basta analisarmos a extração do ouro na América do Sul, com a colonização espanhola, que via nas tribos indígenas aqui presentes uma forma de lucro fácil; Podemos observar a corrida pelo ouro nos Estados Unidos da América, a extração do ouro no Brasil, em Minas Gerais, e muito recentemente a extração aurífera em Serra Pelada, no Pará.
Se analisarmos a partir do contexto sócio-econômico, perceberemos que a busca e aquisição deste metal precioso acarreta crescimento econômico e social. Assim deu-se a colonização luso-espanhola em praticamente todo continente Sul Americano, a expansão à Oeste nos Estados Unidos, o impulso econômico na região Central do Brasil na época da monarquia, e o recente desenvolvimento da região Norte do Brasil.

Utilizando então de simples analogia, expressada na máxima que diz que “o que está em cima é igual ao que está embaixo”, certamente a procura pelo nosso ouro interior – nossa parte divina – também nos trará crescimento, prosperidade e expansão.

Devemos analisar o modus operandi da natureza para que possamos aprender com ela. Como é extraído ouro da natureza? Primeiramente ele é retirado ou de dentro do solo ou nos rios. Não o encontramos livre, solto, mas aprisionado dentro do cascalho, o qual é preciso garimpar. O cascalho é adquirido do interior da terra, após muito sacrifício, procura e esforço.

Se nossas maiores riquezas naturais: ouro, o petróleo e as pedras preciosas estão sempre dentro da terra, nossos tesouros espirituais também devem ser sempre procurados dentro de nós mesmos. Jamais fora. Interessante este paralelo, não?

Como o ouro na natureza, nossas virtudes também estarão dentro, aprisionadas. À este cárcere de nossa Essência (virtudes) denominamos Ego, que nada mais é que a personificação de nossos erros, defeitos, debilidades, medos, preconceitos, barreiras…

Como o ouro está dentro do cascalho, sabemos que encontrando o cascalho possuiremos a oportunidade de encontrar o ouro. Assim deve ocorrer em nosso interior, devemos procurar nossos cascalhos, ou seja, nossos defeitos. Devemos observá-los, estudá-los, para que um dia liberemos nossa valiosa Essência, nosso ouro interior.

Após garimparmos o cascalho, é necessário aplicar uma força superior, externa, que irá quebra o cascalho e fazer com que o ouro seja liberado. Em nós igualmente devemos proceder, pedindo para que nossa força de tipo superior, nossa energia sutil, de tipo sexual, nossa chamada Divina Mãe Particular, a Divina Mãe Kundalini, extermine nossos defeitos.
Quando cometemos um equívoco qualquer, este reflete apenas nossa falta de Consciência sobre determinado assunto. Cria-se nestes momentos uma barreira, um impedimento, um “cascalho” em nosso inteirior…

Apenas possuímos ignorância por ainda não compreendermos o mal que esta faz aos nossos semelhantes – e o pior – o prejuízo que causa a nós mesmos. Nossos defeitos são, em síntese, frutos dessa ignorância sobre nossa existência, sobre as leis que regem o cosmos, inconsciência ao direcionarmos nossas vidas…

Jamais devemos nos reprimir ou nos culpar por nossos erros. Também tampouco devemos justificá-los. O que necessitamos é de Compreensão profunda sobre estes assuntos. Devemos compreender que nossas ações apenas refletem o estado de nossa Consciência. Devemos compreender que temos muitos “cascalhos”. Urgentemente devemos compreender que somos o que somos e estamos onde estamos devido à nossas escolhas, e que a cada momento possuímos a escolha, o livre arbítrio. Somos os únicos responsáveis por nós mesmos.

Toda culpa e todo remorso ficam sem sentido. Como culpar ou cobrar algo de alguém que ainda não compreende determinada questão? Não devemos pedir mais do que nossos semelhantes podem dar… Devemos sim é procurar o ouro, a essência em nosso interior, e desta forma darmos exemplos aos nossos semelhantes.

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1 Comentário

  1. Paulo Sérgio

    Olá.
    Texto muito oportuno e de grande profundidade, com analogias curiosas como a do ouro extraído do interior da terra, comparado com os nossos tesouros espirituais procurados dentro de nós mesmos.
    Porém, não esqueçamos que a ATITUDE, como processo de abertura mental e gesto desencadeado pelo movimento, é a tarefa mais gratificante e de maior importância na nossa conduta existencial, diferindo, sobremaneira, do ouro materialista, procurado ávidamente por exploradores sem escrúpulos, na busca do metal precioso e do seu lucro fácil, na troca com o exterior.
    É, claramente, o inverso do trabalho interior de cada um de nós, já que o lucro, se existe, pressupõe a evolução interna sem a procura de dividendos palpáveis, sem ter em conta os benefícios calculistas quantitativos, mas apenas almeja o nosso próprio engrandecimento humano como melhores pessoas e mais dignas, do ponto de vista ético e moral.
    Plenamente de acordo consigo Kleiton Luis, nunca nos devemos culpar do erro cometido quando não é premeditado, porque quando erramos conscientes do resultado que iremos obter, estaremos não simplesmente a errar mas a cometer um verdadeiro “pecado”, este visto como erro consciente do próprio gesto; e voltamos ao gesto que se relaciona com a ATITUDE. Logo se tivermos consciência da nossa ATITUDE, termo este exemplarmente referido por Samael Aun Weor, estaremos a modificar as consequências nocivas, transmutando-as em benéficas, e dessa forma descobriremos a essência áurea dentro de nós, transformando-nos num exemplo modelar para os nossos semelhantes.
    Abraço fraterno!
    Paulo

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